Para Grupo Orsa, sem dinheiro, Amazônia não será preservada.

Para o presidente do Grupo Orsa, Sérgio Amoroso, o manejo sustentável na Amazônia ainda é economicamente inviável. Segundo Amoroso, já se investiu muito na produção legal de madeira, mas, mesmo assim, ela ainda não consegue concorrer com as não certificadas. “Existe a ideia de que dá para preservar sem dinheiro, mas isso não é real”, afirma.

O Grupo Orsa, 100% nacional, é referência no manejo sustentável de floresta tropical nativa. Atua no setor de madeira, celulose, papel e embalagem. Suas operações envolvem 545 mil hectares na Amazônia.

Amoroso explica que uma parte do problema está nas condições impostas para o estabelecimento legal de algumas atividades. “Qualquer coisa que você vai fazer de forma legal é muito difícil. E isso só faz proliferar a ilegalidade”, diz. “Criar dificuldade para vender facilidade é a coisa mais fácil que existe lá.” A outra está nas condições financeiras das famílias locais. Para ele, é necessário investir em projetos que produzam ganhos econômicos para a população, não apenas educação e sensibilização ambiental. “Se os moradores não tiverem algum tipo de solução econômica, árvores continuarão a ser derrubadas ilegalmente.”

O diretor do Instituto Peabiru (ONG que trabalha pela conservação da diversidade biológica e social da Amazônia), João Meirelles, discorda. Segundo ele, o principal investimento tem de ser na formação política das comunidades. Para ele, essa ação resultará no fortalecimento de lideranças regionais além de gestores para manter o funcionamento de projetos sociais que chegam à região com as companhias. Ao se instalar na Amazônia, as empresas criam estruturas, ONGs e agendas próprias e têm dificuldade para conversar com a comunidade. “Já estão programados R$ 500 bilhões para grandes obras na Amazônia”, diz. “As empresas têm de ter interlocutores à altura.”

Além da falta de formação, outro fator que aumenta a desmobilização da população local segundo Meirelles, é a mudança no tipo de morador. Meirelles explica que antigamente eram 400 mil garimpeiros na região. Agora, são 200 mil e outros 400 mil operários nos canteiros de obras. Em geral, homens que saem de outras regiões do País e não estão acostumados com a realidade local. Na tentativa de atrair mão-de-obra para a região, as empresas costumam oferecer salários maiores, mas não dão informação nem preparação para quem de dispõe a trabalhar lá. “A chegada dos trabalhadores tem de ser menos inocente”, diz. “Amazônia tem de ser um projeto de vida, não o quintal do País onde tudo é mais fácil.”

Fonte: Portal TERRA.

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