Sem patrocínio, estudantes do Vale do Jari driblam dificuldades financeiras para se apresentar nos Estados Unidos

“Por amor à ciência.” É desta forma que a professora de física Elizabete Rodrigues define sua principal motivação para realizar o sonho de seus alunos.

Professora e alunos da equipe BioJari, projeto que foi apresentado essa semana nos EUA.

Residentes em Laranjal do Jari, município de 40 mil habitantes há 250 km de Macapá, no Amapá, ela, como orientadora, e um grupo de três estudantes da escola estadual Mineko Hayashida, recém graduados no curso técnico de manutenção de computadores  – Islla Marreiros, Adymailson Santos e Thysianne Teixeira – criaram o projeto BIOJARI: AS MUDANÇAS COMEÇAM A PARTIR DE NOVAS IDEIAS.

Bairro das Malvinas, em Laranjal do Jari, é tema do premiado projeto Biojari

O objetivo é desenvolver alternativas que valorizem a qualidade de vida da população ribeirinha da cidade, abrigada em palafitas, sem tratamento de esgoto, segurança e iluminação pública adequada.

A proposta foi apresentada na 26ª Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), evento que  reúne alunos do Ensino Médio e Técnico anualmente em Novo Hamburgo (RS).

Por sua contribuição eles ganharam da Intel o principal prêmio do evento: uma viagem para Pittsburgh, nos Estados Unidos, onde acontecerá em maio a International Science and Engineerig Fair (ISEF), a maior competição pré-universitária de ciências e engenharia do mundo.

“Nós moramos numa cidade distante. O prêmio dá as passagens a partir de São Paulo. Além disso, os alunos precisam de um curso de inglês para poder se apresentar”, afirma Elizabete.

Sem qualquer tipo de patrocínio, a professora tem recorrido a empréstimos pessoais para custear as despesas como, por exemplo, a ida do grupo até o consulado norte-americano de Recife para tirar o visto – cidade mais próxima para a expedição do documento, segundo ela -, ou ainda a viagem até a capital Macapá para obtenção dos passaportes.

“A prefeitura e a Câmara estadual colaboraram também”, ressalta, mas faltam recursos financeiros para levar o projeto adiante. “Trabalhamos desde 2010. Os alunos ganharam o prêmio. É importante que se apresentem”, defende a professora.

Durante o período de elaboração, desenvolvido em cinco etapas diferentes desde 2010, a equipe realizou um diagnóstico do território, conhecido como bairro das Malvinas. Ouviram as pessoas e compreenderam melhor os laços dos moradores com a comunidade. “Muitos não querem deixar o local porque estão perto do centro comercial da cidade e também por terem família lá desde sempre. Mas reconhecem que precisam de melhorias”, observa.

Maquete final do projeto.

As propostas para o bairro incluem a viabilização técnica da coleta seletiva de lixo, criação de biodigestores, construção de mais escolas e reforço nas passarelas de acesso.

O curto tempo que possui para alcançar sua meta não a intimida em sua determinação. “Não temos dinheiro e temos que tirar do próprio bolso, já que não temos apoio. O custeio do projeto tem sido financiado por nós. Nos manteremos fortes, que é para continuar.”

Categorias: Amapá, Laranjal do Jari, Vale do Jari | Deixe um comentário

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