Trabalhadores da Jari Celulose depositam credibilidade no GEA para evitar demissão em massa

A demissão em massa de funcionários e prestadores de serviços terceirizados da empresa Jari Celulose foi a pauta de reunião entre o governador Camilo Capiberibe, secretários de Estado e trabalhadores associados a três sindicatos do Vale do Jari. O encontro aconteceu nesta quarta-feira, 21, no Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Celulose de Laranjal do Jari e Monte Dourado (Sintracel), quando os operários depositaram no Governo do Amapá as expectativas positivas para resolver o entrave que, se os executivos da empresa não voltarem atrás, vai deixar desempregado mais de sete mil trabalhadores.

O assunto é motivo de preocupação dos moradores da região do Jari desde o início de outubro, quando a Jari Celulose, Papel e Embalagens S/A ? Jarcel anunciou que as atividades da empresa serão paralisadas por causa da baixa produção de eucalipto no local. De acordo com o comunicado, há necessidade de ampliação e adaptação da fábrica para que ela se torne novamente viável economicamente. A paralisação deve iniciar em janeiro de 2013, com prazo de dez meses para a empresa retornar as atividades. A pretensão é iniciar um novo projeto onde a empresa passaria a produzir celulose solúvel, a partir de outubro do próximo ano.

A insegurança é gerada pela falta de acordo concreto que garanta o retorno dos trabalhadores após o período de paralisação, ou outra alternativa que não seja a demissão. Se não houver meio de reverter a situação, estarão desempregados em breve os 1.100 funcionários da Jarcel e os 6 mil trabalhadores que prestam serviços como de cultivo, corte e transporte. Irá afetar negativamente de forma direta a vida de mais de 25 mil integrantes de famílias empreendedoras, e, no geral, vai atingir aproximadamente 70 mil pessoas que moram na região. Há algumas semanas, os trabalhadores arregaçaram as mangas e partiram para a mobilização da população, parlamentares e poderes.

O representante do Sintracel, Francisco Pereira, sindicalista conhecido como Piricó, foi enfático ao afirmar que o Governo do Amapá (GEA) precisa salvar estes postos de trabalho para evitar crises sem precedentes. \”Em outras épocas enfrentamos crises e agora nos vemos diante de outra situação que pode inviabilizar a vida no Vale do Jari. Nossa salvação são as autoridades do Amapá\”, disse. O trabalhador da área de segurança, Francisco Wellington, lamentou que o governo do Pará até agora não se manifestou sobre o assunto, e que a intervenção do GEA é essencial para se construir uma grande aliança parlamentar para resolver a situação.

Um dos questionamentos dos trabalhadores por meio dos sindicatos e dos parlamentares e demais autoridades, é quanto ao empréstimo contraído junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na ordem de R$ 145,4 milhões. Este valor seria para modernizar o parque industrial em Monte Dourado e para plantar até 33,7 mil hectares de florestas de eucalipto no período de 2006 a 2008.

O governador relatou os esforços feitos até agora pelo GEA. \”Conversei com o executivo da empresa, Sérgio Amoroso, e ele amenizou dizendo que a empresa não vai paralisar definitivamente, e sim até que ela se torne viável com a produção de tecidos. Também procurei o governador Simão Jatene, porque temos que compartilhar responsabilidades, e estou junto com parlamentares amapaenses. Vamos unir forças para não deixar que essa tragédia aconteça\”, afirmou. Os sindicalistas cobram da empresa uma conversa mais explícita e direta, e relatórios com mais informações. Sobre isso, o governador disse que \”vai cobrar transparência para esclarecer as intenções reais da empresa\”.

\”Vou exigir também do governo federal o mesmo empenho dispensado quando a demissão em massa acontece em fábricas de São Paulo, por exemplo. São mais de 7 mil pessoas que precisam ter seus empregos e direitos assegurados, inclusive o direito a informações\”, continuou. Ele anunciou que na próxima terça-feira, 27, estará em Brasília participando da Audiência Pública que vai discutir o assunto com parlamentares e empresa. As secretarias de Estado, especialmente a de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), e de Trabalho e Empreendedorismo (Sete), irão acompanhar todo o processo mais de perto e dar encaminhamentos às discussões.

Mais informações

A empresa é o que restou do Projeto Jari, que iniciou em 1967, na fronteira entre Pará e Amapá, às margens do rio Jari, no chamado Vale do Jari, que compreende os municípios amapaenses Vitória e Laranjal do Jari e o paraense Almeirim. A sede da empresa, Monte Dourado, está localizada no município de Almeirim. O projeto grandioso foi idealizado pelo bilionário americano Daniel Ludwige. Ele trouxe do Japão uma fábrica de celulose que passou mais de 50 dias para chegar à fronteira, flutuando em plataformas gigantescas. A cidade de Monte Dourado foi construída nos moldes americanos e com infraestrutura básica, como hospital, escolas e locais de lazer.

No ano 2000, a empresa passou a ser controlada pelo Grupo Orsa, o que tornou a mesma economicamente viável e sustentável. Em 2004, foi a primeira no mundo a receber a certificação pelo Forest Stewardship Council (FSC) ? Conselho de Manejo Florestal, e tornou-se referência mundial em manejo sustentável e recicla 100% seu papel pós-consumo. O Grupo Orsa reúne três empresas ? Jari Celulose, Papel e Embalagens S.A, Orsa Florestal e Ouro Verde Amazônia, que atuam de forma integrada no Amazonas, Goiás, Pará e São Paulo.

 

Mariléia Maciel/Secom
Assessora de Comunicação Social
Secretaria de Estado da Comunicação Social

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Categorias: Amapá, Laranjal do Jari, Vale do Jari | Deixe um comentário

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